No universo onde os pais cuidam dos filhos, o cuidado dos filhos aos pais deve ser natural, é devolver aquilo que sabemos que não conseguiremos chegar nem perto de tal mistério. E infelizmente aqui nesse universo a realidade é igual.
É saber que no corredor do pronto socorro a velhinha sonolenta de cabelos grisalhos, precisava de alguém para acordá-la e levá-la para casa, o homem de alta estatura com a barba por fazer e com crise respiratória, precisava de alguém que ele olhasse e encontrasse refúgio, tendo seu nariz e sua boca cobertos pelo aparelho que leva a fumaça aos seus pulmões – que visivelmente não estava aliviando os sintomas – ou a senhora que suspira na cadeira de rodas após aquilo que foi aplicado por via intravenosa, aparentemente apresentar os efeitos positivos na sua corrente sanguínea. Estar ali e observar os seres mais valentes de todos os universos, tão vulneráveis, tão fracos, tão dependentes, me faz entender que a vida surpreende.
O ato de pegar um copo de água para aquela que tem sede, de ir até o consultório do médico pegar a receita, de ter que ficar acordado esperando o nome comum sair na tela quase sem cor de uma recepção superlotada, de apoiar com o ombro enquanto caminhamos em direção a saída, me faz supor que essa raça conhecida como humana, pouco honram àqueles(a) que já fizeram de tudo por àqueles que nada pediram.
Nesse universo, esses super-heróis que estão no corredor sem nenhum olhar que lhe seja conhecido, no momento é certo que não dispõem de tanta força, mas eles estão ali justamente para obter as forças e o vigor necessário, para cuidar daqueles que deveriam estar com eles ali no corredor.
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